Esse texto foi publicado dia 14 de julho de 2007 no site da Amigo Cão. Até então eu tinha 70 entradas em pista, esse número já passou de 100, muito pouco por sinal.
Quando a temporada 2006/2007 começou, minha experiência em provas oficiais se resumia a uma prova realizada no RS, Campeonato Gaúcho 2006 e duas etapas do Brasileiro 2005/2006 no Rio de Janeiro, três vezes como iniciante. Fui 1º no gaúcho, desclassificado em uma no Rio e quarto em outra.
Quanto isso representa em termos de Experiência?
Muito pouco!
Hoje terminada a temporada 2006/2007 entrei em pista em 24 provas, 11 delas com dois cães. Competi com quatro cães a temporada, Guíça, Cacau, Sandy e Schummy. Significa que entrei cerca de 70 vezes em pista durante esse ano, o que me deixa com certeza como segundo condutor que mais entrou em pista no Sul do país oficialmente na história do Agility.
Basicamente números.
Quanto isso representa em termos de Experiência?
Muito!
Competi com meus cães no carpete escorregadio e traisoeiro, em grama sintética de vários tipos e aderências até na boa e velha grama natural. Fui julgado por muitos árbitros, passando por dificuldades, algumas já conhecidas e outras que nunca havia imaginado e que vieram a fazer parte do repertório dos treinamentos. Você pode até diminuir ou acabar com as suas dificuldades e do seu cão, mas nunca saberá ao certo o que pode ser considerado dificuldade ou não, porque qualquer coisa pode sair da cabeça de um árbitro.
Descobri nesse ano que fazer agility é como dirigir. Na auto escola aprendi que fazer um carro andar não é necessariamente dirigir. Agility não é apenas transpor obstáculos, isso uma cabra ou bode podem fazer tão bem quanto um cão. Pense bem, não é apenas ligar o carro, engatar uma marcha e pisar no acelerador.
Durante estas 70 entradas em pista não me tornei um fenômeno dentro do Agility, me tornei um condutor grau 2, passei três cães para este grau, um deles já era até grau 3, a Cacau, outros dois não. O Schummy meu primeiro Border era iniciante quando terminei a temporada 2005/2006, sabia transpor todos os obstáculos, juntar em uma pista era a complicação e Sandy não foi treinada por mim, mas estava na mesma situação do Schummy, sabendo fazer e com vontade mal canalizada.
Cada cão é diferente do outro e para cada caso há uma solução.
A dificuldade que eu tinha no início era saber quando e onde meu cachorro estaria, por que na verdade é isso que você precisa entender, quando, como e onde seu cão vai estar. No momento que você consegue juntar essa leitura do cão, com a leitura da pista, para se posicionar de forma correta visando ajuda-lo a transpor os obstáculos você estará realmente fazendo agility e se divertindo mais e mais.
Não posso dizer que hoje sei tudo de agility, ninguém sabe, mas posso dizer que completei uma etapa importante, do iniciante para o grau 2, um ano de extremo aprendizado onde o resultado final foi ótimo. Fiquei várias vezes entre os primeiros colocados, subindo no pódio e marcando pontos. Quando comecei no início da temporada, era comum esquecer o percurso, me preocupar demais em certas situações, cometer faltas bobas. Hoje sei que a melhor forma de entrar em pista é calmo, mesmo que isso seja na maioria das vezes muito difícil.
Quanto vale um ano de competição?
Não tem preço.
Como também não tem preço ver novos agilitistas surgindo, que eu posso ajudar passando um pouco da minha experiência, ver os seus resultados em pista, evolução e ver que não apenas eu, mas a escola toda (Amigo Cão) está no rumo certo.
Fabiano Estigarribia