Numa curva o volante meio solto, na outra muito solto e em seguida o estouro. Não dá pra medir o perigo. Você sobe numa bicicleta e acha que se equilibrar ali é algo natural, aprende quando pequeno e nunca esquece. É o ditado. Não há como dizer o quão perigoso é praticar essas atividades diárias, mas em todas há risco.
Enquanto todos discutem se é demais ficar metade de um dia, o dia todo ou dois dias numa prova eu me pergunto se vale a pena colocar a vida em risco mesmo que nunca tenha sequer me assustado nesses quatro anos de viagens, por essas mesmas provas. Sem dúvidas digo que nunca tive medo de morrer e é loucura o que fazemos.
Por mais que a estrada esteja cada vez melhor, menos buracos, mais duplicada, a conta está ai pra quem quiser faze-la. São 1200km pra rodar e que fazemos variando entre 12 e 14 horas. Pra isso é preciso rodar entre 100 e 130km/h a maior parte do tempo possível. Alguns trechos mais retos e planos compensam os mais sinuosos e acidentados, no sentido natural.
Rodamos a noite porque de dia a viagem demora mais, mais trânsito, é mais quente, mais gasolina, ar condicionado ligado e os caminhões. Mais de nove de cada 10 acidentes que já vi tem caminhões envolvidos. Ainda que motoristas de carros façam bobagens, é diferente fazer isso num veículo de 30 ou 40 toneladas.
Pneu estourado no meio da estrada, madrugada, 2 e pouco, meio frio em Curitiba e ainda faltavam 800km pra rodar até em casa. Oito a nove horas de viagem. Chegando lá respeitar toda rotina de cuidar dos que viajaram, buscar os que ficaram, voltar a vida normal.
Depois de escrever o post sobre a volta da última viagem pensei realmente no que ocorreu. Brinquei no final que péssimo seria um sequestro por alienígenas, mas péssimo, terrível, seria não pode dar um beijo e um abraço no meu filho no final daquela terça-feira.
Vale a pena sofrer tanto pelo agility? dirigir 800, 900km noite e dia, pra entrar em pista?
Sim.